A religião influencia a saúde e os comportamentos durante uma crise sanitária?
No Brasil, durante a pandemia de COVID-19, as crenças religiosas desempenharam um papel notável nos hábitos de vida e nas escolhas de saúde. Uma pesquisa realizada com 694 pessoas na cidade de Alegre revela que quase metade se declarava católica, enquanto um terço se dizia protestante. As pessoas sem afiliação religiosa, muitas vezes mais jovens, apresentavam comportamentos distintos, como um consumo de álcool mais elevado.
Católicos e protestantes compartilham certas características: geralmente são mais velhos, mais frequentemente casados e consultam mais os serviços médicos do que as pessoas sem religião. No entanto, os protestantes se distinguem por uma abstinência mais marcada em relação ao álcool e uma relutância maior em relação à vacinação contra a COVID-19. Essa hesitação vacinal, observada em outros países, poderia ser explicada por influências religiosas ou políticas específicas de certas comunidades.
As diferenças sociodemográficas também são marcantes. Os católicos são majoritariamente brancos e mais abastados financeiramente, enquanto os protestantes incluem mais pessoas de diversidade étnica e residentes na periferia urbana. Essas disparidades refletem dinâmicas sociais mais amplas, nas quais a afiliação religiosa se entrelaça com o acesso a recursos e cuidados de saúde.
A idade aparece como um fator-chave: quanto mais velha a pessoa, maior a probabilidade de ser católica ou protestante. O casamento e a frequência aos serviços de saúde também reforçam essas afiliações. Por outro lado, os jovens e os solteiros são encontrados com mais frequência entre os não religiosos, um grupo que tende a ter um nível de educação mais elevado, mas também rendimentos mais modestos.
Este estudo destaca como a religião, além de suas dimensões espirituais, molda os comportamentos de saúde e as escolhas individuais em tempos de crise. Também enfatiza a importância de considerar esses vínculos para melhor compreender as desigualdades sociais e sanitárias, especialmente em contextos onde as redes religiosas desempenham um papel central na vida cotidiana.
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DOI : https://doi.org/10.1007/s10943-026-02657-8
Titre : Exploring the Relationship Between Religion, Health, and Sociodemographic Factors in Brazil During the COVID-19 Pandemic
Revue : Journal of Religion and Health
Éditeur : Springer Science and Business Media LLC
Auteurs : Michael Ruberson Ribeiro da Silva; Patrícia Silva Bazoni; Ronaldo José Faria; Alciéllen Mendes da Silva; Eduardo Frizzera Meira; Jéssica Barreto Ribeiro dos Santos